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Vitórias da COP30: Avanços para as Florestas, os Direitos de Posse e as Comunidades
Iniciativa para Direitos e Recursos
05 .12. 2025  
8 minutes read
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Na COP30, recentemente concluída em Belém, Brasil, que ocorreu de 10 a 21 de novembro, o papel central das florestas tropicais e das comunidades Indígenas, Afrodescendentes e locais que as protegem esteve firmemente em destaque. Há muito trabalho a ser feito, mas a cúpula climática proporcionou ganhos tangíveis para as comunidades e os guardiões locais das florestas, desde reconhecimentos históricos de terras até novas iniciativas de financiamento e colaborações internacionais. A coalizão global da RRI se orgulha de ter contribuído para muitos desses avanços por meio de suas análises estratégicas oportunas, diálogos com governos, doadores e outros aliados, e liderança crítica ao longo do ano.

Aqui estão 10 das conquistas mais significativas para os Povos Indígenas, comunidades locais e Povos Afrodescendentes que podem moldar a proteção de ecossistemas críticos e fortalecer a gestão comunitária em 2026 e além.

 

1. Avanço Histórico no Reconhecimento das Terras dos Povos Indígenas no Brasil

Em 17 de novembro, no Dia dos Povos Indígenas da COP30, o governo brasileiro anunciou a demarcação de 10 novas terras Indígenas. As novas demarcações representam o reconhecimento institucional dos direitos territoriais Indígenas e a definição formal dos limites territoriais. Com este anúncio, 21 terras Indígenas são agora oficialmente reconhecidas no Brasil, cada uma com territórios claramente demarcados.

No total, as terras Indígenas no Brasil agora cobrem 117,4 milhões de hectares, ou aproximadamente 13,8% do território do país, o que inclui algumas das maiores extensões contínuas de floresta tropical do planeta. De acordo com o censo demográfico de 2022, o Brasil abriga 266 grupos Indígenas, representando 1,7 milhão de pessoas de uma população total de 203 milhões. Esse reconhecimento fortalece a clareza jurídica, a segurança territorial e a capacidade de administrar os ecossistemas florestais a longo prazo.

2. Fortalecimento dos Direitos Fundiários e Proteção Florestal: O Compromisso Renovado com a Posse da Terra

O Compromisso Ampliado sobre Florestas e Posse da Terra é um novo compromisso de US$ 1,8 bilhão ao longo de cinco anos para apoiar Povos Indígenas, Povos Afrodescendentes e comunidades locais na garantia de direitos de posse e proteção das florestas. Com base no compromisso da COP26, a promessa oferece financiamento direto e flexível para esforços de conservação liderados pela comunidade, ao mesmo tempo em que apoia os governos na reforma de políticas para fortalecer a segurança da posse da terra. O compromisso atualizado agora abrange todos os ecossistemas, prioriza mulheres, jovens e povos afrodescendentes e garante que mais recursos cheguem diretamente às comunidades locais.

Por meio de iniciativas como Path to Scale, Women in Global South Alliance (WiGSA) e CLARIFI, os membros da coalizão da RRI ajudaram a incorporar as perspectivas da comunidade e considerações de equidade na elaboração do compromisso, garantindo que ele reflita as prioridades das comunidades que pretende apoiar.

3. Compromisso Internacional sobre a Posse da Terra: Promovendo os Direitos das Comunidades Indígenas, Afrodescendentes e Locais

O Compromisso Internacional sobre Posse da Terra reúne 15 países, incluindo Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, Fiji, Indonésia e República Democrática do Congo, em uma promessa de reconhecer e proteger 160 milhões de hectares de terras Indígenas, Afrodescendentes e de comunidades locais até 2030. Anunciado na Cúpula Mundial de Líderes antes da COP30, esse compromisso marca a primeira vez que os países se uniram para estabelecer metas quantitativas e com prazo determinado para o reconhecimento dos direitos à terra. O Brasil, país anfitrião da COP30, deve contribuir com pelo menos 59 milhões de hectares, mais de um terço do total prometido.

Ferramentas técnicas e analíticas, incluindo a Estrutura de Oportunidades da RRI, ajudaram a identificar áreas onde o reconhecimento é viável e mais urgente, fornecendo aos governos um roteiro claro para alcançar resultados mensuráveis.

4. Fundo Floresta Tropical para Sempre: US$ 7 bilhões para Proteger Florestas com Liderança Indígena

O Tropical Forest Forever Facility (TFFF), criado para apoiar a conservação das florestas tropicais, recebeu quase US$ 7 bilhões em compromissos, com 20% destinados especificamente aos Povos Indígenas e comunidades locais. Liderada pelo Brasil em colaboração com outros 11 países, a iniciativa tem como objetivo arrecadar US$ 25 bilhões em capital de patrocinadores.

O Path to Scale da RRI facilitou as negociações com líderes comunitários, incluindo discussões importantes no início deste ano no Congresso das Bacias Florestais de Brazzaville, garantindo que as perspectivas dos Povos Indígenas e das comunidades locais fossem centrais para o projeto e as prioridades da TFFF.

5. Apelo de Belém para a Bacia do Congo: US$ 2,5 bilhões para Proteger Florestas Tropicais Críticas

A Bacia do Congo, que abriga alguns dos maiores e mais antigos complexos de turfeiras tropicais do mundo, desempenha um papel fundamental na mitigação das mudanças climáticas. Na COP30, uma coalizão de doadores prometeu US$ 2,5 bilhões para proteger esse ecossistema biodiverso sob o Apelo de Belém pelas Florestas da Bacia do Congo, liderado pela França e pelo Gabão e apoiado pela Alemanha, Noruega, Bélgica, Reino Unido, Comissão Europeia, Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento.

Apresentado em 18 de novembro durante a COP30 — também conhecido como dia das florestas —, o financiamento, combinado com contribuições domésticas dos países da África Central, visa acabar com o desmatamento na Bacia do Congo até 2030, fortalecer a conservação por meio de tecnologia e treinamento e apoiar as comunidades locais na gestão e proteção de suas florestas.

6. Reconhecimento Histórico dos Povos Afrodescendentes nas Negociações da UNFCCC

Pela primeira vez em mais de 30 anos, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), juntamente com parceiros do Caribe, fez referência aos Povos Afrodescendentes em documentos centrais de negociação, incluindo textos sobre Transição Justa, Ação de Gênero e a Meta Global de Adaptação. Embora os Povos Afrodescendentes ainda não sejam reconhecidos como um grupo independente dentro da estrutura da UNFCCC, essa menção os coloca ao lado de outros grupos desproporcionalmente afetados pelas mudanças climáticas e centrais para sua mitigação, proporcionando uma nova plataforma para defender seus direitos.

O reconhecimento é resultado de uma defesa sustentada por organizações Afrodescendentes e aliados, incluindo a Coalizão de Povos e Territórios Afrodescendentes (CITAFRO) — que representa 16 países da América Latina e do Caribe — e membros da coalizão RRI.

7. Plano de Aceleração para os Povos Afrodescendentes: Fortalecimento dos Direitos à Terra e à Comunidade

Na COP30, os governos do Brasil e da Colômbia, juntamente com a RRI, lançaram o Plano de Aceleração de Soluções para Povos Afrodescendentes (PAS Afrodescendiente) 2026-2030, a primeira iniciativa regional dedicada a abordar lacunas históricas no reconhecimento territorial, governança ambiental e financiamento para comunidades afrodescendentes na América Latina e no Caribe. O plano visa fortalecer a segurança da posse da terra, a gestão comunitária e o desenvolvimento sustentável para mais de 25 milhões de pessoas.

No lançamento, o Brasil, a Colômbia e a RRI confirmaram contribuições iniciais totalizando US$ 9,5 milhões para uma meta de US$ 35 milhões, com o Brasil fornecendo US$ 5 milhões, a Colômbia US$ 3 milhões e a RRI US$ 1,5 milhão, demonstrando forte vontade política coletiva para avançar nessa prioridade regional.

8. Lançamento da Rede Global de Jovens: Conectando Jovens Indígenas, Afrodescendentes e de Comunidades Locais em Todo o Mundo

A RRI, juntamente com representantes jovens da Ásia, África e América Latina, lançou a Rede Global da Juventude. Essa aliança histórica reúne jovens Indígenas, Afrodescendentes e de comunidades locais, juntamente com grupos juvenis aliados, em uma única plataforma para solidariedade, aprendizado compartilhado e ação coletiva.

A Rede cria oportunidades para que jovens líderes influenciem decisões sobre terra, clima e direitos humanos, garantindo que as perspectivas locais informem a ação global. Ela se baseia nos resultados do Fórum Global da Juventude, realizado em Bali, Indonésia, em julho de 2025, onde 52 jovens líderes de 22 países co-criaram o Roteiro Global da Juventude e a Declaração da Juventude sobre Justiça Climática, articulando uma visão compartilhada de justiça intergeracional, equidade e soluções comunitárias para a crise climática.

9. Dos Direitos aos Meios de Subsistência: Lançamento da Rede Coletiva de Meios de Subsistência e Empreendedorismo

Durante a COP30, a RRI anunciou a próxima fase de sua estratégia de coalizão global, Dos Direitos aos Meios de Subsistência: Promovendo Economias Coletivas para as Pessoas e o Planeta, com o lançamento de uma nova Rede Coletiva de Meios de Subsistência e Empreendimentos.

A iniciativa vincula direitos de posse, meios de subsistência sustentáveis e conservação por meio de economias lideradas pela comunidade. Com base em décadas de trabalho que contribuíram para o reconhecimento de pelo menos 140 milhões de hectares de florestas para Povos Indígenas, comunidades locais e Povos Afrodescendentes na África, Ásia e América Latina, essa nova rede se concentra em garantir que essas terras também apoiem economias locais prósperas e autodeterminadas que reforcem tanto os direitos quanto a conservação.

10. Presença Indígena Recorde na COP30: Vozes Ouvidas nas Negociações e Eventos

A COP30 contou com o maior número de delegados Indígenas já registrado em uma cúpula climática da ONU, com mais de 3.000 representantes, principalmente da região amazônica. Embora apenas uma parte deles tivesse credenciais para entrar na “Zona Azul” da COP30, onde ocorreram as negociações da ONU, sua presença foi visível em vários espaços e eventos em Belém. A cúpula destacou tanto o progresso alcançado quanto a necessidade urgente de garantir que as vozes Indígenas, Afrodescendentes e das comunidades locais tenham acesso às negociações que moldam as decisões sobre o clima e a terra.

As iniciativas, compromissos e redes lançadas na COP30 oferecem oportunidades sem precedentes para fortalecer os direitos de posse, proteger ecossistemas críticos e manter as florestas em pé. O sucesso dependerá da colaboração contínua, da tomada de decisões inclusivas e do apoio político e financeiro sustentado para garantir que os direitos dos Povos Indígenas, dos Povos Afrodescendentes e das comunidades locais sejam plenamente realizados para as gerações futuras.


 

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